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Energia em Pauta – Presidente da Fiec diz que é preciso despertar para o Hidrogênio Verde

Quais as perspectivas do Setor de Energia Renovável de 2023 até 2030? Esse foi o tema do primeiro “Energia em Pauta” deste ano, o 21º promovido pelo Sindicato das Indústrias de Energia e Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia-CE), que tem à frente o presidente Luis Carlos Queiroz.

Diretoria do Sindienergia com Ricardo Cavalcante (ao centro), presidente da Fiec. Foto: ocenário.

O evento aconteceu no fim da tarde dessa quarta-feira (15/02) na sala do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará – Fiec.

Falta de conhecimento

O palestrante foi o presidente da Fiec, empresário Ricardo Cavalcante, que expôs para os presentes e para o público online, sua angústia com a falta de conhecimento da sociedade para o que esta acontecendo na implantação do projeto de produção de energia renovável através do chamado hidrogênio verde.

“A gente precisa entender o que está acontecendo! Isso faz com a gente fique ansioso porque a gente não vê o retorno da sociedade. Eu venho há dois anos e meio falando sobre nisso (hidrogênio verde). Em dado momento pensei que as pessoas achavam que eu estava ficando doido. Mas a gente sabia o que estava acontecendo. Nós passamos do período que a gente estava preparando o terreno para começar a plantar. E o tempo do plantio chegou”, disse.

“Será a grande mudança socioeconômica que a gente vai ter no Nordeste. Alguns estados (nordestinos) sairão na frente pela própria condição estratégica, como o Ceará que está mais preparado, com o entrosamento do governo, das universidades e do empresariado. Os investimentos que estão vindo são vultosos. A Fiec, nos seus 73 anos, nunca aportou tantos empresários com recursos privados, sem precisar de recursos de governo federal, para colocar no hidrogênio verde, nas energias eólica e solar. Isso faz com que a gente precisa ter uma responsabilidade muito grande”, alertou Ricardo.

Muito dinheiro

“O dinheiro será para compra de terras, aluguéis, construção civil, qualificação profissional, para geração de emprego. O volume é enorme. Pelo levantamento que a gente fez, é preciso qualificar 50 mil pessoas até 2026 na área de energia. As eletrolisadoras estão sendo desenvolvidas pelas grandes companhias mundiais. Por isso que a gente precisa acompanhar paripassu esse pessoal’, disse.

Ricardo Cavalcante fez uma comparação. O governo do Estado do Ceará investe, em média, R$ 2 bilhões em obras por ano. “Nós vamos ter a partir de setembro deste ano, apenas uma empresa, investindo um bilhão de dólares, a cada ano. São 5,5 bilhões de dólares. Nós já temos três (empresas), com contratos assinados, dentro do Complexo do Pecém. Serão cerca de 15 bilhões de reais, 7 vezes o que o governo investe por ano no Estado”, explicou.

Energia solar

Atualmente, 12% do território do Estado do Ceará são desertificados. “Nada, se plantando, dá. Se a gente instalar placa solar vai ter um índice de radiação melhor do que outros lugares”, informou Ricardo apontando para as oportunidades de negócio. O presidente da Fiec citou o exemplo do município de Quixadá onde o trabalhador de empresa de placas eólicas está ganhando quase 4 salários mínimos.

“Os ventos e o sol que tivemos a vida toda vão se transformar em riqueza. E essa riqueza está chegando não só para o setor industrial, vai permear todo o Estado do Ceará. De cada 100 moedas aplicadas no hidrogênio verde, 70 terão que ser nas energias solar e eólica porque a eletrolisadora vai precisar trabalhar 24h e ela precisa ter energia 24h”.

Governadores do NE

“Há 40 anos o Ceará não sai de 1,8 a 2% do PIB nacional. A nossa chance de mudar a vida das pessoas, principalmente as mais necessitadas, é agora”, repete insistentemente Ricardo Cavalcante. A projeção é que o Nordeste, se nada atrapalhar, receba nos próximos 10 anos, 200 bilhões de dólares (um trilhão de reais) em investimentos.

O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), informou Ricardo Cavalcante, está agendando uma reunião com os governadores do Nordeste para debater o tema energia que é de interesse de todos. “Esse trabalho tem que ser feito por todos nós. O que falta é as pessoas acreditarem no que esta acontecendo. E as coisas estão acontecendo numa velocidade muito grande”, alertou.

Legislação

Ricardo Cavalcante adiantou que tanto nos Estados como a nível federal o projeto do hidrogênio verde precisa ser regulamentado. “Já tem países que já fizeram isso. Precisamos cobrar dos nossos governantes porque esses empresários (investidores externos) precisam de uma garantia. Eles precisam entrar no jogo sabendo como funciona. Está faltando uma participação maior, não só do empresariado, mas de todos os setores para entender essa transformação que vai acontecer no Ceará, no Nordeste e no Brasil”.

O Diretor Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Ceará (SENAI-CE) e Superintendente do Serviço Social da Indústria (SESI-CE), Paulo André Holanda, falou sobre o que está sendo realizado na área de capacitação. Hoje 4 mil alunos estão matriculados. A moderação do debate ficou a cargo do presidente do Sindienergia, Luis Carlos Queiroz, que conta com mais de 30 anos de experiência no setor, nas áreas de Infraestrutura e Energias Renováveis. Atualmente, exerce o cargo de CEO da B&Q Energia.

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